BREVE RESUMO HISTÓRICO

 

O Aero Clube de Leiria foi fundado em 03 de Janeiro de 1938. As primeiras instalações foram construídas pelos sócios na Serra de Porto de Urso, perto de Monte Real, no que ficou conhecido como “ Campo de Aviação de Leiria” em terrenos cedidos pela Câmara Municipal de Leiria, como atesta a acta da reunião camarária de 23 de Maio de 1938:

“ A Câmara Municipal de Leiria, de acordo com a Junta de Freguesia de Monte Real, cede os terrenos da charneca de Porto d’Urso deste concelho para uso privado do Aero Clube de Leiria. A fim de neles instalar a sua Escola de Pilotagem da Aviação Civil.”

 

Foi construído o campo, um hangar e um posto meteorológico. No ano seguinte foi autorizada a Escola de Pilotagem. Foi adquirido um avião TAYLORCRAFT com motor de 55 HP, de matricula CS-ABR, onde foram brevetados 11 pilotos no primeiro curso, sendo instrutor o Sr. José da Cunha Carriço. Como curiosidade, deste curso, fez parte o 1º Padre português a ter o Brevet.

 

É interessante saber a origem da ideia da criação deste Aero Clube. Para isso vamos recordar as memórias do sócio e fundador já falecido José Sequeira Pereira:

 

“… Depois de um baptismo de voo na Amadora a convite do então Capitão Tártaro, pedi-lhe entusiasmado, que viesse a Leiria para encontrar-mos um local para um Campo de Aviação. Na data combinada e depois de procurarmos nos Campos do Liz, encontrámos um terreno denominado Lezíria do Pastel, propriedade do Sr. Dr. Verde. Depois de conseguida a respectiva autorização,eu e um grupo de entusiastas, ( Luís de Melo que sempre nos transportou no seu Ford, Carlos Silva, Guerra Rodrigues, Alves Mendes, Vasco Ritto, Wellencamp, Rogério Travassos, Engenheiro Manso, Camilo Korrody, José Carlos Santos, Francisco Pereira, Rocha ourives e Etelvino Gaspar) preparámos o terreno sob a orientação do Cap. Tártaro.
Combinou-se ir à Amadora convidar o Comandante Pinheiro Correia, para como Leiriense, ser o primeiro a aterrar no Campo. Assim foi, encontrei-me com o Comandante na então sede da Esquadrilha República, tendo-me dito não ser possível um campo de aviação em Leiria. Depois de esclarecido pelo Cap. Tártaro de que um terreno tinha sido preparado com 1100 mt de comprimento por 70 de largura, sob a sua orientação e onde se poderia aterrar sem problema, alegou ter de ir em missão a Espanha e quando voltasse se veria o assunto.
A partir de então, aqui em Leiria, sempre que eu entrava no Café, todo o “pessoal” começava a gozar olhando para o tecto e a dizer: - lá vêm os aviões!...

 

Expus o assunto ao Cap.Tártaro que prometeu vir cá aterrar. No dia combinado fomos todos para o
Campo e com jornais fornecidos pelo Rocha ourives que era correspondente do Século, fizemos a marcação da pista prendendo os jornais com pedras e uma pequena fogueira numa das extremidades. Um Vickers da Amadora, tripulado pelo Cap.Tártaro e um mecânico aterrou nos Barreiros, na Lezíria do Pastel em Outubro de 1936.

 

Leiria despovoou-se. Foi um dia Feliz !

 

No mês seguinte, Novembro apareceram dois aviões a sobrevoar Leiria, os quais se dirigiram para os Barreiros. Foi uma corrida, quando chegámos ao Campo, tinham aterrado dois “Moranes” de Tancos. A partir deste dia começaram a vir aterrar aviões de Amadora, Tancos e Alverca.

 

 

No fim de 1936 o Dr. Verde mandou lavrar o campo e começámos a tratar de descobrir outro local.
Todas as reuniões eram feitas na Tipografia Carlos Silva, onde ficou a ser a sede provisória do Aero Clube de Leiria, que foi fundado em 3 de Janeiro de 1938.

Em Fevereiro de 1938 apareceu-me um homem dizendo que na sua terra havia um grande terreno onde poderia ser construído um Campo de Aviação. No dia combinado eu e o Guerra Rodrigues fomos até Monte Real no Citroen 7 HP do João Preto, e lá estava o tal homem de nome Laúdo com 2 burros à espera, porque a charneca ficava longe e não havia estrada.

 

Chegados à charneca de Porto D’Urso, deparou-se-nos aquela imensidão! Um baldio camarário cheio de matos e machureiros. Ficámos loucos de alegria. Seria ali o nosso Campo de Aviação !

 

O Sr. Duarte Júnior, Presidente da Junta de Freguesia, nomeou o Sr. José Maria Lucas para nos contratar pessoal para de imediato, se começar a roçar os matos e preparar uma improvisada pista.

 

Estava eu em Lua de Mel, então ia todos os dias acompanhado da minha mulher, na camioneta que saía de Leiria às 8 horas para a Figueira da Foz, até às Várzeas. Daqui até Monte Real e à Serra do Porto D’Urso, íamos a pé e, de regresso novamente a pé até Monte Real, onde o Sr. Olípio Duarte Alves mandava o seu motorista levar-nos até Várzeas, donde regressávamos de camioneta para Leiria e isto durante cerca de quatro ou cinco semanas.

 

Assim nasceu o Aero Clube de Leiria e o Campo de Aviação, no local onde presentemente se encontra a Base Aérea nº 5 – Monte Real. “ …

Texto extraído de: “ Recordando como Foi…” autoria de
José Dias Sequeira Pereira

 


DEPOIS… Em, 1941 o grande ciclone que assolou esta zona, causou grandes estragos no Hangar e no avião. No entanto as actividades aéreas continuaram até 1945, ano em as instalações foram cedidas ao Ministério da Defesa para construção da Actual Base Aérea nº 5.

 

Em 1972 um grupo de sócios resolveu reactivar o Clube. Para isso contribui o Sr. José Ferrinho, mais tarde também associado, ter construído um Aeródromo privado em Gandara dos Olivais, no qual permitiu que o Aero Clube desenvolvesse as suas actividades.

 

Através de subscrição pública e doações de sócios e amigos, adquiriu-se um CESSNA F 150 novo, com matrícula CS-AOT, baptizado com o nome “ Cidade de Leiria”, em 25/11/1973, pelo então Cónego Manuel Lopes Perdigão tendo sido madrinha Isabel Damasceno. È esta aeronave que desde então tem permitido formar pilotos na Escola deste Aero Clube.

 

Com a morte de José Ferrinho em 18 de Agosto de 1975, a sua família continuou a permitir a utilização do Aeródromo para as actividade do Aero Clube. A partir de 2001 a utilização daquele espaço foi regulado através de contracto de arrendamento entre este Aero Clube e os herdeiros de José Ferrinho. Sendo caso inédito no País – o único aeródromo certificado com a totalidade dos custos sob encargo dum Aero Clube.

 

Em 1976 a Força Aérea Portuguesa cedeu ao A.C.L. um avião PIPER SUPER CUB, PA-18-150 HP,com a matrícula CS-AQN. Aeronave pelas suas características e história considerada um clássico da aviação.

 

Em 1992 com o apoio de sócios pilotos, o A.C.L. adquiriu um CESSNA 172 N, com a matrícula CS-AYV, aeronave de 4 lugares e sobretudo destinada a viagens. Esta aeronave foi melhorada em 2004 com a alteração do motor para 180 HP.

Em 2003 através de um protocolo conjunto com Governo Civil de Leiria, Serviço Nacional de Bombeiros e Fundação Vodafone, foram-nos cedidas 2 aeronaves ZEPHYR 2000 ULM, destinadas a vigilância florestal no concelho de Leiria. Este projecto inovador na altura e posteriormente alargado a outras zonas do País, continua a vigorar, dando todos os anos razões de sobra quanto às necessidades e virtudes duma prevenção e vigilância florestal correctamente realizada. Este projecto foi também salutar, pela oportunidade de ter proporcionado uma nova experiência aeronáutica aos sócios, através de meios modernos mas fora da aviação clássica.


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